terça-feira, 6 de março de 2007

Vila Belga e a sua auto-conservação





Chegando quase no fim da Avenida Rio Branco encontra-se uma rua cheia de casinhas, 84 ao todo, com um mesmo estilo de arquitetura que fazem parte do conjunto denominado Mancha Ferroviária (juntamente com o Colégio Manoel Ribas e a Estação Ferroviária, tombada pelo Iphae como Patrimônio Histórico e Artístico do Estado). O ambiente onde estão as casas beira o bucólico apesar do asfalto e dos carros que esporadicamente passam no local. Esta é a vila Belga num domingo nublado a tarde, tombada como patrimônio histórico e recebe visitas de excursões de diferentes lugares. Porém quem conserva as casas tombadas são os próprios moradores, que se racham a compra de tintas para pintar a fachada das casas. Fora a fachada, vai de cada morador. O asfalto, por onde passam as excursões está triste, com vários buracos. Os moradores me disseram que não recém nenhum incentivo – nem o desconto do IPTU – para manter as casas e por isso alguns não cuidavam delas.

A vila Belga foi o primeiro núcleo residencial da cidade e tem uma arquitetura eclética simples trazendo elementos Art Nouveau da "Belle Époque" francesa nas fachadas. Eram nessas casas, compradas pela Cooperativa dos Empregados da Viação Férrea, que moravam os trabalhadores da empresa belga que explorava a estrada de ferro. Santa Maria fica bem no centro do Estado e, portanto, é onde se encontram as linhas de trem vindas de vários lugares do estado. Assim a nossa cidade praticamente surgiu de lá. E hoje o descaso com o qual é tratada passa longe de lembrar o lugar que foi , por um certo tempo, o que impulsionou o crescimento da cidade. Não é assim que uma cidade que aspira ao título de Capital Brasileira da Cultura 2007 deveria se comportar frente aos seus bens histórico-culturais. Santa Maria tem potencial para ser uma boa cidade turística se destinar mais verbas para a conservação e preservação dos prédios históricos e paisagens naturais. Isso renderia dinheiro, “colocando-se um café nesses prédios, livrarias, museus, enfim um bom projeto turístico Santa Maria poderia trazer mais turistas do que já traz hoje” comenta o professor do curso de arquitetura da UFSM, Caryl Eduardo Lopes.


Um texto legal para quem quer saber mais sobre a vila belga é este (O Imaginário do espaço: a ferrovia em Santa Maria RS) do professor Luiz Fernando Melo do curso de arquitetura da UFSM.

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